PROFISSÃO:REPÓRTER

SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO

COMISSÃO AGRIDE

A ÉTICA

LEIA A NOTA DA COMISSÃO

E A RESPOSTA DO REPÓRTER LUIZ MAKLOUF CARVALHO
 
 

"DELIBERAÇÃO DA

COMISSÃO DE ÉTICA

01- A questão ética neste caso está na verdadeira indignação e na sincera denúncia, sem o ranço do partidarismo, do mero preconceito de oposição. A ética está ligada ao gosto de viver, a conquista da felicidade na convivência e na dignificação da pessoa humana. O fato do jornalista voltar a questão do Sindicato dos Jornalistas, de denunciar a Federação Nacional dos Jornalistas e inclusive de reportar contra o PT em plena campanha eleitoral, mostra um gosto especial pelo negativo a pretexto de defender a ética e a moralidade, com preconceito da oposição, sem a plena responsabilidade social. A "verdade" das pesquisas eleitorais deste ano, mostrou como se pode manipular a "verdade" fora de hora e de lugar, como a publicação no dia da eleição de pesquisa de um mês atrás no estado de Goiás que dava vantagem enorme ao candidato que perdeu as eleições.
 
 

02- Por isso achamos que se deve fazer uma OBSERVAÇÃO ao colega jornalista para que busque comunicar o que há de melhor, sem preconceito, nem partidarismo, investigando verdades animadoras que possam dignificar o povo brasileiro tão massacrado pelos Ratinhos e Leões da mídia.

SÉRGIO DEODORO GOMES

MONSENHOR ALNALDO BELTRAMI

DENISE SANTANA FON

CÉLIA REGINA COSTA

GEORGE DUQUE ESTRADA

COMISSÃO DE ÉTICA

SINDICATO DOS JORNALISTAS - SP"
 


RESPOSTA DE LUIZ MAKLOUF

À COMISSÃO DE ÉTICA


 
 

SÃO PAULO, 9 de novembro de 1998

DE: LUIZ MAKLOUF CARVALHO

PARA: COMISSÃO DE ÉTICA DO SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS NO ESTADO DE SÃO PAULO

Srs. e Sras. Integrantes desta Comissão

Repilo, com máxima veemência, a "Observação" com que me penalizaram na representação proposta pelo sr. Oswaldo Braglia Jr. É decisão político-partidária e corporativa, que atenta contra a liberdade de imprensa. Está a serviço de uma postura de caça às bruxas que tenta "queimar" e intimidar o jornalismo independente.

A concepção de ética que embute, tem a mesma essência da concepção de todas as ditaduras. Qual seja: a de que a verdade não importa e deve estar subordinada às conveniências, aos conchavos, e à politicagem.

Esta Comissão não contesta a veracidade das informações publicadas nas reportagens em questão - o furto no sindicato e a fraude nas eleições da Fenaj. Ao não poder fazê-lo, por indesmentíveis, optou por condenar a própria essência que determina o exercício da profissão. Qual seja, segundo o artigo sétimo do Código de Ética:

"O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos, e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação".

É o que tenho feito ao longo da profissão.

Mas a ética que esta Comissão defende, como está claríssimo no teor da "Observação", diz: o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos - DESDE QUE NÃO PREJUDIQUE O PT, A CUT, O SINDICATO, A FENAJ ETC. Como se à assim chamada "esquerda" fosse dado o direito de prevaricar, e de se corromper, de aparelhar entidades, devendo os jornalistas a isto fechar os olhos.

Não compactuo com essa visão - que só merece o meu repúdio. A "Observação" desta Comissão faz a defesa explícita de um jornalismo de armazém de secos e molhados.

Ao ignorar o teor concreto da representação em si, só prova que ela foi um jogo de cartas marcadas, uma triste pantomima.

Onde está a ética de uma Comissão de Ética que penaliza um jornalista que publicou fatos novos, provados, documentados e indiscutíveis, dando a todas as partes o direito de se pronunciar?-

Não há ética em nada disso, como não houve na "Observação" - de resto uma peça que fala por si só, tal a repugnante subserviência com que defende o jornalismo marron e acachapado das "verdades animadoras". Repilo-a energicamente, mais uma vez.

Luiz Maklouf Carvalho


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