e n t r e v i s t a
CLÓVIS ROSSI
Perguntas via e-mail de Cláudio Julio Tognolli, Dênis de Moraes, Fernando Rodrigues, José Arbex junior, José Maria Mayrink, Luiz Maklouf Carvalho, Manoel Carlos Chaparro, Mário Magalhães, Neil Ferreira e Xico Sá.
Respostas
enviadas por e-mail em 1/9/99
PERFIL
RÁPIDO
Nome, idade, local de nascimento
Clóvis Rossi, 56, São Paulo, Capital
Veículos em que trabalhou, com os respectivos cargos
Correio da Manhã (sucursal
paulista, repórter), O Estado de S. Paulo
(redator, chefe de reportagem,
editor de Geral, editor de Futebol,
assistente do Editor-Chefe, Editor-Chefe),
IstoÉ (repórter), Jornal do
Brasil (Suc. de Brasília,
repórter), Folha de S. Paulo (repórter e colunista)
Livros publicados
O que é Jornalismo, Militarismo
na América Latina, Contra-revolução na
América Latina, Vale a Pena
ser Jornalista? e Enviado Especial-25 anos ao
redor do mundo.
Prêmios recebidos
Dois ou três Vladimir Herzog de Direitos Humanos, Fenaj.
Países visitados
Um monte, sei lá quantos.
A
ENTREVISTA
Luiz Maklouf Carvalho - Quando, por que e como você escolheu a profissão?
Clóvis Rossi - Para esticar
a mesada do pai. Queria ser diplomata, mas conclui o
científico com idade inferior
à então exigida para o vestibular do Instituto
Rio Branco. Para esperar até
completar a idade, fui fazer Jornalismo, gostei
e fiquei.
LMC - Faria a mesma opção nos dias de hoje?
Rossi - Sim.
Xico Sá - Caro e admirável Clóvis, você enfrenta alguma contrariedade em ser repórter e ao mesmo tempo ``a voz do dono'', como parte da equipe de editorialistas da Folha de S. Paulo?
Rossi - Não, nenhuma. A discussão
e elaboração dos editoriais da Folha é o
processo mais democrático
que conheci na profissão. Parece coisa de Comitê
Central. Discute-se, discute-se,
discute-se e, uma vez definida a linha,
prevalece, lógico, o "centralismo
democrático". Nem sempre estou de acordo
com a linha definida, mas respeito-a.
E, em geral, só escrevo os editoriais
com os quais tenho concordâncias.
Xico Sá - Em qual momento
da sua carreira foi mais difícil manter a tal, a
chamada, a dita imparcialidade?
Só uma ajuda com alguns fatos: na cobertura Maluf x Tancredo?, nas
Diretas?, nas Copas do Mundo????
Rossi - Na eleição
de 89, Collor x Lula. Do meu ponto de vista, não se tratava
só de uma escolha entre
duas idéias diferentes, mas, acima de tudo, de dois
caráteres (é assim
que se escreve o plural de caráter?) completamente
distintos. Num caso, Collor, a
total ausência de caráter. No outro, pelo
menos um mínimo de. Era
impossível não tomar posição. Por sorte, a
eleição
presidencial no Chile me levou
para Santiago na reta final o que me permitiu
"esconder-me" de uma situação
realmente difícil, repito não por questões
ideológicas (porque respeito
até o mais extremo limite o projeto editorial
da Folha) mas por uma questão
de caráter.
José Arbex Junior - Depois
de cobrir tanta coisa no mundo (guerras,
conferências internacionais,
encontros de cúpula etc. etc.), não sobra uma
sensação de rotina,
de coisa já-vista, de que tudo mudo para ficar igual? Se sobra,
como você lida com essa sensação, que é, obviamente,
o oposto do jornalismo (a novidade, a mudança, a notícia
sobre algo que vai "mudar o mundo" etc.); se não sobra, como é
que você faz para evitar a sensação de rotina, a percepção
de que aquele filme você já viu?
Rossi - Essa sensação
só se dá às vezes, porque eu tenho a sorte de mudar
de
assunto mesmo não mudando
de avião. Davos, por exemplo, é uma espécie de
curso de reciclagem anual, portanto
uma novidade anual. E sair de Davos para
cobrir uma eleição
no Paraguai, como já ocorreu, dificilmente te deixa com o
dejá-vu na cabeça,
nãoé?
LMC - Como vê o tratamento da mídia em geral, e da Folha em particular, ao governo FHC e, no caso de São Paulo, ao governo Covas?
Rossi - Sou testemunha diária
de que a Folha faz o mais honesto esforço para se
manter fiel aos pilares de seu
projeto editorial (jornalismo crítico,
apartidário, pluralista,
independente etc). Trata Covas e FHC de acordo com
esses cânones, por mais que
haja simpatia pelo presidente, evidente nos
editoriais.
LMC - O que vai mal no jornalismo brasileiro? E o que vai bem?
Rossi - Não dá
para responder sobre jornalismo brasileiro como se fosse coisa
homogênea. Há muitos
jornalismos hoje em dia. O jornalismo da Folha não é o
mesmo do Estado, que não
é igual ao da Veja, que difere do da TV Globo e por
aí afora. Teria que examinar
veículo por veículo, o que seria um saco para
todo o mundo.
LMC - Como é o seu ritmo de trabalho para poder manter uma coluna diária e continuar fazendo reportagens no Brasil e no Exterior?
Rossi - A coluna é
sempre um subproduto da coleta de informações para as
reportagens, no Brasil ou no exterior.
É como se fosse uma retranca a mais,
apenas temperada por um dose de
opinião muito maior. Logo, é até certo ponto
fácil conciliar as coisas.
LMC - Em uma edição
recente do Observatório da Imprensa, o jornalista
Alberto Dines lhe atribuiu o
dom da “ubiquidade” - por ter assinado matérias sobre países
diferentes em uma mesma edição. Como viu essa crítica?
Rossi - Não li. Não acho o Dines sério.
LMC - O que acha dos veículos de crítica da mídia que temos no Brasil - como o Obervatório da Imprensa?
Rossi - Nas poucas vezes que vi
o site do Observatório na Internet, achei que,
com as bobagens que são
publicadas lá, a imprensa continua sem observatório.
É apenas um poço
de ressentimento, carregado de inverdades e alguns
atentados ao bom jornalismo. Dos
outros, vejo pouco e prefiro não opinar.
Manoel Carlos Chaparro - Ser oposição, suspeitar sempre do poder instalado, é um dever jornalístico?
Rossi - Repito Millôr Fernandes: jornalismo ou é crítica ou é armazem de secos e molhados.
Neil Ferreira - O Claudio Humberto,
o homem do bateu-levou,
escreveu num livro de memórias
dele que você estava bêbado numa praça de Milão,
gritando "Fora Collor", com uma garrafa vazia de vinho na mão. Você
confirma? Desmente ? Tem outra versão ?
Rossi - Lamento que você,
Neil, inteligente como é, ainda possa ter dúvida a
respeito, a ponto de fazer a pergunta.
Mas, em respeito a você (e não ao
Cláudio Humberto, que só
merece desprezo), conto a história verdadeira: eu
estava cobrindo a festa da torcida
brasileira pela vitória na estréia (acho
que contra a Suécia). Um
leitor do interior paulista me reconheceu, parou
para conversar e, no meio da conversa,
surgiu o assunto Collor. Eu só
respondi: "Quero mais é
que morra". O Sebastião Nery, então na mordomia de
assessor cultural de alguma embaixada
brasileira, estava perto, ouviu,
inventou tudo o mais e passou para
o tal de Cláudio Humberto, que não estava
no local, não ouviu, não
viu, nem perguntou a mim se era ou não verdade -e
tascou naquilo que você chama
de livro. PS - Eu talvez seja o único
jornalista brasileiro que não
bebe.
LMC - Existe alguma em reportagem em particular que você ainda tenha muita vontade de fazer?
Rossi - Um monte.
Fernando Rodrigues - Clóvis, você acha que os jornais brasileiros algum dia terão condições de manter uma rede profissional de correspondentes no exterior, como acontece com alguns jornais de países desenvolvidos?
Rossi - No horizonte que se vê
hoje, não. Não que não seja necessário, mas
e a
grana?
LMC - O que é que um repórter nunca deve fazer?
Rossi - Ah, sei lá, são
tantas coisas. Acho que a principal é matar-se para não
dar uma "barriga".
Fernando Rodrigues - Qual a diferença da cobertura política que se faz hoje da de dez anos atrás?
Rossi - Acentuou-se a mania do declaratório
em detrimento do bastidor, da
contextualização,
da interpretação.
Dênis de Moraes - Você é um colunista independente e crítico. Mas há outros colunistas da grande imprensa - sobretudo de política e economia - que não conseguem disfarçar uma simpatia-quase-amor pelo governo FHC, ou pelo menos por FHC. Como você percebe a questão, sobretudo do ponto de vista da ética jornalística?
Rossi - Todo mundo tem direito a ter simpatias e antipatias, desde que não sejam compradas umas ou outras. O ideal é o distanciamento, mas seria impraticável imaginar que o sujeito chega a redação, despe seu histórico pessoal, sua visão de mundo etc, e veste a roupa branca do neutrão e passe a escrever sem emoções.
Mário Magalhães
- Com a coluna no alto da primeira página de opinião do jornal
de maior tiragem do país, você poderia ficar apenas na redação,
almoçando com fontes,
usufruindo a tranquilidade proporcionada pelo
prestígio conquistado.
O que o faz ainda ter vontade de sair pelo mundo, às vezes em verdadeiros
fins de mundo, atrás de notícias?
Rossi - Porque a única graça
da profissão está em ser testemunha ocular da
história do seu tempo, o
que, como é óbvio, só se consegue na rua (ou na rua
de São Paulo ou na rua da
Conchinchina). Só isso.
LMC - O furo vale uma missa?
Rossi - Vale, mas se o profissional
for depender só do furo, não conseguirá
completar o número de missas
mínimo exigido por qualquer religião. Logo,
vale o céu um trabalho consistente
todo dia ou toda semana, dependendo do
veículo ou da forma com
que se trabalha.
Mário Magalhães - Antes de completar 30 anos, você já era chefe no Estadão, jornal no qual chegou a dirigir a redação. Você prefere aqueles tempos de chefia ou a vida atual de repórter e colunista?
Rossi - Chefe, nunca mais. É
a coisa mais desconfortável do mundo ficar de
sanduíche entre as demandas
dos chefiados e as da direção. E eu sou muito
bundão para ser chefe.
Mário Magalhães - Se a direção da Folha o chamasse hoje e dissesse que você poderia escolher o país para ser correspondente, embarcando amanhã, qual seria a sua escolha? Por quê?
Rossi - Espanha. Porque junta altíssima
qualidade de vida com capacidade de
oferecer informações
e um aeroporto com conexões convenientes para todas as
capitais que são ou podem
vir a ser notícia um dia.
LMC - Quais foram as paradas mais difíceis que você já enfrentou como repórter?
Rossi - A mais difícil foi
sem dúvida cobrir a agonia e morte de Tancredo Neves. Primeiro,
porque sou leigo em Medicina. Segundo, porque o, digamos, objeto da cobertura
ficava no quarto andar do prédio do Incor e, nós, na calçada,
sem jamais vê-lo. Terceiro, porque não dava para combinar
com as bactérias que parassem sua ação na hora do
fechamento e ficassem quietinhas até a manhã seguinte, com
o que se corria o risco de publicar uma coisa que, entre fechar o jornal
e iniciar o trabalho do dia seguinte, estivesse totalmente
ultrapassada, para o bem ou para
o mal.
LMC - Entre as milhares de matérias
que fez, quais delas escolheria para
compor um livro com as dez melhores?
Rossi - Sem frescura, sempre acho
que a melhor (e, por extensão, as demais
melhores) ainda está por
ser feita. Você fica sempre achando que, na
próxima, vai ouvir mais
gente, ver mais coisas, pentear melhor o texto e
assim por diante. Mas, como o dead
line, é sempre implacável, você acaba
não conseguindo fazer isso
e fica imaginando indefinidamente que, na
próxima, vai dar.
Mário Magalhães
- No seu livro “Enviado Especial - 25 ao Redor do Mundo”
(editora Senac), você
conta ter chorado apenas uma vez “em ação”, na
Argentina. Você poderia
relembrar o episódio?
Rossi - Sim. Foi um dia em que as
madres de Plaza de Mayo tinham programado uma
manifestação maior
que a habitual das quintas-feiras. Iam ficar 24 horas na
plaza histórica. Mas a polícia
cercou tudo, todas as vias de acesso à praça
com cordões humanos de isolamento.
Aí, quando eu chegava para cobrir a
coisa, uma velhinha de rosto bem
vincado pelo tempo e pela dor, o lenço
branco das madres à cabeça,
atirou-se contra o cordão policial, gritando:
"Deixem-me passar que eu tenho
encontro marcado com meu filho na praça".
Quem não choraria?
Mário Magalhães - Você está casado há mais de 30 anos com a mesma mulher. Como conseguir esse feito, na nossa profissão, sendo correspondente, viajando sem parar, com o estresse característico da nossa atividade? Há receita?
Rossi - Teria que pergunta pra ela.
LMC - O que acha das revistas
semanais - Veja, Istoé e Época - e da
quinzenal Carta Capital?
Rossi - Exceto a Carta Capital,
as demais são hoje uma espécie de Caras com
menos fotos. A Veja pra mim sempre
foi leitura indispensável até cinco ou
seis anos atrás. Agora,
não mais. Acho que isso diz tudo.
Mário Magalhães - Nos últimos anos, você tem acompanhado as principais negociações do comércio internacional, tornando-se o maior especialista da imprensa brasileira no assunto. Na última reunião de cúpula Europa - América Latina - Caribe, no Rio, alguns jornais e emissoras de TV “anteciparam” conclusões e prioridades que inexistiram nos relatórios. Por que, com exceções, os jornalistas brasileiros se comportam como baratas tontas num evento como esse?
Rossi - Porque é um assunto
que não "vende" nem internamente (ou seja, aos
próprios editores). Logo,
não atrai especialistas nem cria estímulos para
que não especialistas se
aprofundem.
Mário Magalhães
- Já no primeiro governo FHC você e alguns poucos
jornalistas, entre os quais
Janio de Freitas, foram extremamente críticos em relação
ao Planalto. Ao ler e ouvir, todos os dias, incessantemente, tantos colegas
a incensar o presidente, alguma vez você pensou que estava errado,
e que o barco tucano-pefelista estava em boa rota?
Rossi - Sim, várias vezes.
Mas não por conta dos colunistas favoráveis, mas por
minha infernal carga de dúvidas
a respeito de tudo. Escrevi uma vez que
idolatrava (brincando, claro) pessoas
que têm certezas absolutas sobre tudo,
como, na época, o Gustavo
Franco, quando eu tinha dúvidas absolutas sobre
tudo.
LMC - A revista Exame (edição
de 11 de agosto de 99) publicou artigo não assinado - Má
notícia é boa notícia - com críticas ao
desempenho da mídia brasileira
como um todo. O que achou do artigo?
Rossi - Acho que contraria o beabá
do jornalismo, aquilo que você aprende no
primeiro dia de aula de qualquer
escola de jornalismo: notícia é o homem
morder o cachorro, não o
cachorro moder o homem. Achar que estudante que
estuda, que trabalhador que trabalha,
que avião que pousa e decola no
horário é notícia,
é ignorar a própria índole mais profunda do jornalismo,
que é a ênfase no
inusual, no diferente, até no ruim, se você quiser. Seguir
a lógica de Exame até
o limite significaria que é incorreto publicar a
notícia de queda de um avião,
sem se referir ao fato de que milhares de
outros, no mesmo momento, pousaram
sem problemas. Absurdo, não?
Mário Magalhães - Em comparação com a época em que você começou na profissão, no que o jornalismo brasileiro melhorou e no que piorou? O que há de melhor e pior no jornalismo brasileiro contemporâneo?
Rossi - De novo, não consigo
lidar com a generalização. Há muitos jornalismos
brasileiros, alguns excelentes,
outros medianos, outros péssimos. Não me
animo a dar exemplos, para não
dizer que estou puxando o saco dos amigos e
criticando os não-amigos.
Mário Magalhães
- Quando os seus netos crescerem e, por acaso, lhe
perguntarem o que há
de bom e de ruim na profissão de jornalista, qual será a
sua resposta?
Rossi - O que há de bom é
essa coisa de poder ser testemunha ocular da história
de seu tempo. O que há de
ruim é a exigência até irracional de dedicação
plena, nem sempre porque o patrão
pede, mas porque o teu senso de
responsabilidade te atira nessa
direção. Deveria haver uma maneira de
conciliar melhor as duas coisas,
mas eu não aprendi ainda.
José Maria Mayrink - Sua primeira viagem internacional foi para a cobertura do golpe de Pinochet, em 1973, no Chile. Foi aí que nasceu sua vocação, ou que aumentou seu interesse pelos assuntos internacionais, especialmente pela América Latina?
Rossi - Não. Meu interesse
nasceu das leituras do "Estadão" sobre a crise da
Hungria, em 1956, quando tinha
apenas 13 anos. Surgiu daí uma verdadeira
obsessão por estar nos locais
em que as coisas ocorriam e conhecer
pessoalmente os newsmakers.
José Maria Mayrink - Em Santiago, você deixou de cobrir o enterro de Pablo Neruda por causa de uma entrevista, que já estava marcada, com um dos responsáveis pela política econômica do governo militar que se iniciava. Qual foi sua sensação, ao constatar que, com isso, deixou de presenciar um acontecimento histórico?
Rossi - Na verdade, foi uma divisão
de tarefas, né, Mayrink? Você ia cobrir,
embora pelo Jornal da Tarde, mas,
como os dois jornais aproveitavam o material um do outro, o Estadão
estaria coberto. Se eu pudesse trocar com você, teria
trocado, pode crer.
LMC - Jornalista deve receber jabá - qualquer que seja ele?
Rossi - Depende do que você
considera jabá. Agenda no fim do ano é jabá? Não
acho que seja. Mas admito que precisar o limite é difícil.
Fica no caso a
caso.
José Maria Mayrink - Em 1982, o carro em que você viajava de San Salvador para Uzulatán foi alvejado, supostamente por soldados do Exército de El Salvador , numa zona de terra de ninguém. Você poderia relatar o que sentiu naquela hora, vendo a morte tão de perto? Cobrindo guerras e guerrilhas, você enfrentou outros riscos desse tipo?
Rossi - Nem deu tempo de sentir
nada na hora nem depois. Só recentemente,
revendo o filme sobre El Salvador,
é que me dei conta do irresponsável que
fomos (você também,
não adianta assobiar e olhar pro lado) em fazer as
coisas que fizemos naquela e em
outras coberturas. Minha mulher sempre me
cobra essa irresponsabilidade.
Mas havia outra maneira de fazer o trabalho?
Claudio Julio Tognolli - Mestre, o que você achava do Paulo Francis? Como você, o Gaspari e o Janio de Freitas são de há muito os melhores jornalistas do Brasil, o que pessoalmente, acreditas, te diferencia deles, em estilo (forma) e em conteúdo (ideologia)??
Rossi - Passo na pergunta sobre
o Francis. Sobre Gaspari e Janio, é difícil
responder. O Gaspari é,
pro meu gosto, o melhor texto do jornalismo
brasileiro, o que, portanto, lhe
dá uma vantagem grande sobre euzinho, na
forma. No conteúdo, sei
lá, porque eu não me considero um ideólogo de coisa
alguma. Sou livre-atirador e sigo
a receita do criador de Página 12
(Argentina), para quem jornalista
foi feito para fazer perguntas. Respostas,
quem tem que dar são políticos
e, noutro plano, os religiosos.
Pelo Janio tenho tal carinho pessoal
que não consigo falar mal nem quando
discordo, até veementemente,
do que ele escreve.
Claudio Julio Tognolli - Já te aconteceu aquilo que os americanos chamam de "crossover": ligou para alguma fonte e ela te disse "acabo de contar tudo para o Janio..", ou vice-versa????
Rossi - Não me lembro, não.