JORNALISTA É SEQUESTRADO POR 23 HORAS
Marcelo Moreira
[ Jornal do Brasil ]
O jornalista Cláudio Alcântara, do Diário do Vale, de Volta Redonda - que estava desaparecido desde a noite de terça-feira -, foi encontrado ontem, às 18h, por policiais do 28° BPM, numa área de preservação ecológica da Vila Santa Cecília, perto do Jardim Zoológico. Todo sujo de lama e semiconsciente, Cláudio foi levado para o Hospital da Siderúrgica Nacional, no mesmo bairro. Os médicos acreditam que ele tenha passado a noite no mato e que, em algum momento, tenha sido arrastado, em função das marcas encontradas no corpo, sobretudo na barriga.
Este foi o segundo ato de violência contra Cláudio, em menos de um mês. No dia 25 de fevereiro, ele foi espancado por três homens, que exigiam o silêncio do jornal a respeito da Câmara dos Vereadores, que vinha sendo alvo de várias denúncias de Cláudio. Cinco dias antes, através de votação em regime de urgência, a Casa havia aprovado, por 14 votos a 7, o aumento dos cargos comissionados - de três para seis, por vereador -, ampliando em R$ 150 mil os gastos mensais.
Em depoimento à diretora regional da Polícia Civil, Teresinha Gomes - que ontem já apurava o desaparecimento do jornalista, por ordem do secretário estadual de Segurança, Nilton Cerqueira -, o empresário Aurélio Paiva, proprietário do Diário do Vale, revelou que ouvira Cláudio comentar na redação que o autor do primeiro atentado foi o vereador Milton Moreira (PSDB), 1° secretário da Câmara. Moreira foi assessor de Vanildo de Carvalho, prefeito da cidade há seis anos, que em 1992 foi denunciado por envolvimento com grupos de extermínio.
Na noite de terça-feira, o jornalista desapareceu por volta das 19h, logo após a realização de várias entrevistas na Câmara, com o fotógrafo Carlos Roberto Caldeira. Minutos antes, ele havia contado ao colega que recebera um telefonema do procurador da Câmara, Afonso José Soares, pedindo-lhe que fosse a seu gabinete, pois tinha informações sobre os autores da agressão do mês passado. Tudo indica que o telefonema foi apenas uma isca, pois o procurador garante que não fez a ligação.