"NEM LULA É OPERÁRIO,
NEM MAKLOUF UMA RAPOSA"
Palavras do Professor-Doutor
Bernardo Kucinski,
mentiroso, antiético,
e agora empregado da ONG de Lula.
Por Luiz Maklouf Carvalho
(31/1/2000)
"Lula não é mais operário". Quem escreveu a pérola foi Bernardo Kucinski, Professor-Doutor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e, de uns meses para cá, o mais novo assalariado do "Instituto da Cidadania", a ONG do presidente do honra do PT, Luis Inácio Lula da Silva. Escreveu-a para o Jornal Pessoal, quinzenal alternativo que o jornalista Lúcio Flávio Pinto mantém em Belém (PA). Lúcio havia escrito que Lula é o "nosso mais importante operário". O homem da ONG de Lula saiu-se com esta, que transcrevo na íntegra:
"Lula não é o 'nosso mais importante operário'. Nem é mais operário. Nem é o nosso mais importante líder operário, como você talvez quisesse dizer. Seria mais correto dizer que Lula é o nosso mais importante líder político, ou um dos mais importantes...A recusa em ver Lula como líder político e insistir em defini-lo como líder operário faz parte de um quadro de restrições de origem preconceituosa (minha opinião). Nem Lula é operário, nem Maklouf é uma raposa (...)
Kucinski está ganhando salário do próprio Lula para escrever isso! Não sabemos quanto - mas na mesma carta ao Jornal Pessoal ele informa que a USP fica com 10% do valor do contrato. Uau! Com um assessor desse tipo, Lula nem precisa de raposas.
Kucinski acha, felizmente, que não sou uma. Sua correspondência para o Jornal Pessoal veio a propósito de um artigo em que Lúcio critica a falta de transparência da prefeitura petista de Belém e o veto do "nosso mais importante líder político, ou um dos mais importantes..." (o outro seria ACM, pois não?) à minha participação no Roda-Viva. Já puxei as orelhas de Kucinski, por antiético, em alguns artigos aqui publicados. O primeiro deles foi a resposta a uma sordidez chamada A arte da difamação no jornalismo brasileiro. (Note o leitor, no parênteses, que aqui se lê os dois lados; Kucinski, em seus artigos, esconde sistematicamente a existência da resposta). Depois vieram Bernardo Kucinski, o antiético, Livro absolve censura da ditadura militar, e Livro está servindo para terrorismo com carta anônima. Embora tendo conhecimento de todos - alguns foram mandados para o seu e-mail pessoal - o Professor-Doutor fugiu do debate. Mas seu ímpeto para a mentira parece não ter fim - ainda mais agora que está a serviço remunerado de seu novo patrão (e Lula que não saiba dos tempos em que o professor ainda cultivava a razão crítica, e dele dizia cobras e lagartos).
Desta vez, no Jornal Pessoal, ao defender ardorosamente o veto de Lula no Roda-Viva, Kucinski, dirigindo-se a Lúcio, diz o seguinte:
- "Luiz Maklouf, teu conterrâneo, é percebido pelo PT (inclusive por mim) como pessoa que age de má fé. Ou seja, não é considerado um jornalista 'bona fide'. Na minha avaliação seus objetivos têm sido sempre os de difamar Lula e o PT e não o de honestamente informar o público. Para isso lança acusações sem prova, insinua, cria suspeição. Como bem diagnosticou um outro conterrâneo seu, Sérgio Buarque de Gusmão, do Instituto Gutenberg, Maklouf postulou que Lula cometeu algumas malandragens e suas matérias são as histórias de algumas tentativas inúteis de provar essa malandragem. Nesse processo, que incluiu a falsificação de documentos, com a ajuda da grande imprensa, efetivamente agrediu e danificou a integridade da imagem e Lula. No meu livro, que você resenhou, Síndrome da Antena Parabólica, dedico um ensaio inteiro à dissecação desse jornalismo difamatório. O livro de Mário Sérgio Conti, Notícias do Planalto, que acaba de sair, revela como Maklouf se iniciou nessa arte, tentando enlamear o nome de Lula, tratando de forma maldosa as circunstâncias do nascimento de sua filha Lurian (...)"
- "Na minha opinião, o único erro que Lula cometeu nesse episódio foi o de ter comparecido ao programa Roda-Viva. O convite havia sido feito há muito tempo, e somente à última hora, Lula chegando de viagem à Europa, a TV Cultura informou que convidou Luiz Maklouf para compor o painel. Minha interpretação (minha, pessoal, não do Lula) é a de que ao convidar Maklouf, que nem é um jornalista importante e nem representava um veículo importante, a TV Cultura revelou que seu objetivo não era o de esclarecer e sim o de agredir ou de confundir, como efetivamente aconteceu. Para tua informação, já que obviamente você pegou tudo de orelhada, dos jornais, quem teve a infeliz idéia de convidar o Maklouf foi o novo funcionário Marco Antonio Coelho, esse sim velho marxista-leninista-e-tudo-o-mais (e nada tenho contra velhos marxistas), sem experiência em jornalismo(...)"
- "(...) Se você tem, deveria apresentar essas provas (Nota: de corrupção na prefeitura de Belém). Se não tem, cometeu o mesmo e grave desvio ético do Maklouf."
- "No site do Observatório da Imprensa você pode conferir a intervenção de Lurian sobre o episódio. Ela acusa Maklouf de a ter enganado duplamente; primeiro ao dizer que a estava entrevistando para um livro da campanha do PT, quando de fato era uma entrevista para o Jornal do Brasil, e, segundo, de que a manchete de entrevista foi mentirosa. Note que Maklouf (no mesmo site) encheu linguiça mas não respondeu essas duas acusações.
Vamos por partes, como diria o velho Jack.
1 - Não estou interessado na avaliação subjetiva de Bernardo, de Lula ou de sua troupe sobre o jornalismo que faço. O que me interessa são os fatos que minhas reportagens noticiaram. Informei honestamente ao grande público sobre a existência de Lurian (Lula tem uma filha de 15 anos que poucos conhecem) , sobre a corrupção confessa de um deputado federal do PT (Ricardo Moraes, depois afastado do partido por conta das reportagens), sobre o tráfico de influência a favor de Roberto Teixeira no caso CPEM, sobre os bastidores das comissões de ética que apuraram o caso CPEM (nesse caso com documentos internos do próprio PT), sobre a ausência de explicações claras sobre a compra do apartamento de cobertura de Lula. Neste último caso, usando documento de fé pública, provei, na Folha de S. Paulo, que parte da explicação de Lula para a compra do apartamento não era verdadeira (Lula não registrou venda de terreno da mulher).
Bernardo contesta algum desses fatos? Não! O PT me processou ou está me processando por qualquer uma dessas reportagens? Não! O PT conseguiu desmentir alguma delas? Não! Nas duas vezes em que entrou na Justiça contra os veículos que publicaram minhas reportagens - e diga-se que em nenhuma delas este repórter foi réu - Lula perdeu. Leia-se, por exemplo, Lula perde ação que moveu contra o JT, ou leia-se a íntegra de sentença, ou, ainda, TSE nega ao PT direito de resposta na Folha.
O que fazem esse partido e esse novo empregado que não me processam por "falsificação de documentos"? Por que eu ainda estaria livre, leve e solto se cometi todos os crimes que Kucinski cita? Por que Lula teve medo da minha presença no Roda-Viva?
Porque eu publico fatos, muito bem apurados. Pouco se me dá que Lula ou Kucinski se considerem incomodados com isso, ou que por isso me coloquem no seu índex. Jornalista "bona fide", para mim, é coisa de máfia. O que eu quero ver - e renovo o desafio pela décima vez - é desmentirem o que publiquei.
2 - Kucinski também mente nas referências a Sérgio Buarque de Gusmão e ao livro de Mário Sérgio Conti. No caso do primeiro, o artigo teve resposta pronta e vigorosa, até aqui sem tréplica. Mas o Professor-Doutor que assessora o ex-operário é useiro e vezeiro na prática sorrateira e covarde de omitir dos leitores que os "ensaios" que escreve mereceram resposta que não teve coragem de contrapor.
É o caso, também, do artigo publicado naquilo que ele chama de "livro" - onde a única "síndrome" que se pode ler é a da absolvição descarada e claramente direitista à censura imposta à imprensa pela ditadura militar. O Doutor na USP volta a mentir quando se refere ao livro Notícias do Planalto. O que ali está narrado sobre a reportagem a respeito de Lurian só mostra o quanto fui ético e profissional. A ponto de receber, por escrito, do jornalista Ricardo Kotscho, então assessor da campanha de Lula, uma carta de parabéns à "belíssima matéria" - até hoje em meu poder, devidamente assinada. Eis a matéria novamente linkada, para quem quiser ler: Lula tem uma filha de 15 anos que poucos conhecem
3 - Não satisfeito com suas próprias mentiras, Kucinski endossa as que Lurian resolveu contar, dez anos depois!, certamente pisando em cima da educação que lhe deram pai e mãe ao ensiná-la que mentir é muito feio. Não "enchi linguiça" na resposta que dei. O leitor interessado pode conferir no Observatório da Imprensa ou em Profissão:repórter. Simplesmente mostrei que ela inventou tudo o que disse (ou teria sido Kucinski?).
Diz Lurian que a procurei afirmando que ajudava num livro da campanha que o Kotscho estava fazendo! Quem pode acreditar nisso diante da carta com que o próprio Kotscho me presenteou? Quem pode acreditar que o Lula ou sua filha teriam ficado calados por dez anos diante de tal enganação, se verdadeira ela fosse?
Quem escreveu a carta não tem a menor lembrança de como os fatos se deram - e está mentindo deliberadamente. Primeiro, não procurei Lurian diretamente, e sim a sua mãe, que concordou com a entrevista para o Jornal do Brasil e me levou à menina, no carro do Jornal do Brasil. Segundo, a entrevista foi concedida ao lado da mãe e da avó, sob grande entusiasmo de uma garota que finalmente poderia fazer o mundo saber que o Lula era seu pai - coisa de que até então estava proibida. Terceiro, Kotscho não estava escrevendo livro algum sobre a campanha (ainda estávamos em abril de 89!). O que havia, sob um segredo de sete chaves que o JB furou, era um projeto de livro tocado por Frei Beto, onde a história de Lurian seria contada. A matéria informa que este livro estava sendo feito.
Estão aí todas as pessoas que de uma maneira ou de outra participaram da reportagem, do motorista Ferreirinha ao fotógrafo José Carlos Brasil; de Ricardo Setti (o diretor da sucursal que acompanhou meu trabalho de perto) a Marcos Sá Correa (então editor do JB no Rio). A matéria foi honesta, clara, verdadeira, eticamente correta, aí incluída a edição sóbria, os títulos precisos, e o texto objetivo, em que Lula foi ouvido e disse o que queria.
É preciso lembrar a Kucinski - e aos petistas cegos tomados de igual fúria - que não foi este repórter que omitiu do grande público a existência de uma filha. Foi o Lula candidato a presidente da República! E quando eu digo omitir é omitir mesmo. Basta ler as longas entrevistas de Lula para O Pasquim (março de 78) e Playboy (julho de 79): nas perguntas sobre os filhos ele só fala nos homens. Este repórter só fez a reportagem.
Ao contrário do que pensa o mal-informado Kucinski, Lula nunca me vetou por causa da matéria de Lurian. Fiz até exclusivas com ele depois disso. O que incomodou, bem mais tarde, foram as matérias que fiz sobre casos de corrupção no partido, a começar pelas que versaram sobre Ricardo Moraes. Lula e Zé Dirceu diziam não saber da corrupção confessa do deputado - e eu provei, por A mais B, com documentos do próprio partido, que ainda possuo, que os dois tinham conhecimento do caso, e nada fizeram de concreto para tomar providências. Não custa repetir que em todas essas reportagens Lula e o PT foram procurados para dar a sua versão. Quando falaram, registrei. Quando silenciaram, também registrei. E vou continuar registrando.
O mais está contido nas cartas que mandei ao Jornal Pessoal, uma delas já publicada:
"Nenhuma
surpresa com o blá-blá-blá assalariado de Bernardo
Kucinski na
última edição
deste Jornal Pessoal. Há muito ele abandonou qualquer
noção de ética
jornalística - como já assinalei, há tempos, no artigo
"Bernardo
Kucinski, o antiético", sempre disponível em
Profissão:repórter,
a homepage que mantenho na Internet. Quanto a defender a censura do seu
agora patrão, Luis Inácio Lula da Silva, também não
foi surpresa.
Kucinski já havia defendido
tese do gênero, com lamentável guinada à
direita, no "livro"-cascata em
que absolveu a ditadura militar da
violenta censura sobre jornalistas
e meios de comunicação. O resto é
opinião barata, mentira,
deduragem e prestação de serviço sujo -
degradante canto do cisne para
quem já foi o que ele foi. Luiz Maklouf
Carvalho"
A outra, ainda não publicada, é a seguinte:
"Ao dizer
que "enchi linguiça" em resposta a uma carta de Lurian Lula da
Silva, Bernardo Kucinski voltou
a mentir. Minha resposta, baseada em
fatos, mostra que Lurian contou
uma versão inteiramente mentirosa da
entrevista que fiz com ela há
dez anos. De resto ao lado da mãe e da avó
- como o provam as fotos do Jornal
do Brasil -, tudo devidamente
autorizado e dentro do mais absoluto
rigor ético. Em nenhum momento usei
o argumento de que estava escrevendo
um livro ou coisa que o valha. A
entrevista foi dada para o Jornal
do Brasil com grande entusiasmo -
próprio de uma garota que
a partir de então estaria livre de esconder a
história sobre o pai famoso.
Na ocasião, o jornalista Ricardo Kotscho,
amigo e então assessor de
Lula, deixou-me uma carta com elogios à
"belíssima matéria".
Tenho-a em mãos. A versão mentirosa que Lurian
agora conta, dez anos depois (!!!),
jamais foi levantada por quem quer
que seja, incluindo Lula. Entendo
que este novo e direitoso Bernardo
queira mostrar serviço ao
seu novo patrão, o ex-operário e importante
líder político Luis
Inácio. Melhor faria se pudesse desmentir, com
fatos, as reportagens que fiz,
incluindo a última, na Folha de S. Paulo,
quando demoli parte da versão
de Lula para a compra de seu apartamento
de cobertura em São Bernardo
do Campo (ainda obscura, diga-se de
passagem). Como não pode
- o PT de Lula nunca sequer me processou, e
jamais derrubou qualquer matéria
que eu tenha feito -, como não pode,
dizia, mete-se a mentir. Já
dei em Bernardo os puxões de orelha que ele
merece. Aqui vai mais um, a ver
se cria vergonha. Luiz Maklouf Carvalho
PS: Este artigo foi enviado em 1/2/2000
para os e-mails de Lula e do Instituto de Cidadania (instituto.cidadania@mandic.com.br),
da presidência e da secretaria de comunicação do PT,
e de diversos dirigentes do partido.
LEIA ALGUMAS REPORTAGENS SOBRE LULA