e n t r e v i s t a
MARIO
SERGIO
CONTI
Jornalista, foi diretor de redação
da Veja entre 1991 e 1997. Em 1992, ganhou o prêmio Editor do Ano
da World Press Review pela cobertura do afastamento de Fernando Collor
da Presidência. Seu livro "Notícias do Planalto" recebeu em
2000 o prêmio Jabuti de reportagem.
LEIA ARTIGO 'DIRIGIR A VEJA É..".
Perguntas de Luiz
Maklouf Carvalho,
por e-mail. Respostas
enviadas em 15/12/99
A ENTREVISTA
Como, por que, quando e onde você escolheu a profissão?
Meu pai assinava o "Estadão", que leio desde menino. Gostava também de revistas. Em algum momento na adolescência decidi que seria jornalista.
Faria a mesma opção nos dias de hoje? Por que?
Sem dúvida. Gosto de fazer entrevistas, reportagens e de editar. O jornalismo é a minha profissão.
Em que veículos trabalhou antes de Veja - e que matérias poderia citar deste período?
Trabalhei quatro anos como repórter na Agência Folha e um ano na "Folha",onde fui copidesque da "Ilustrada" e redator do finado "Folhetim". Não há nenhuma matéria minha daquele período que mereça sair do esquecimento.
Em que momento preciso você "sentiu" que era do ramo?
"Senti" que era do ramo ao colaborar com jornaizinhos na faculdade .
Que funções
exerceu em Veja - e como se deu seu crescimento
profissional dentro
da revista?
Entrei na Veja no começo
de 1983 como repórter da editoria de Geral, contratado pelo então
editor Tales Alvarenga. Aprendi muito com ele, com Dorrit Harazim, Augusto
Nunes e Elio Gaspari, que me promoveu a editor de Brasil e, depois, de
Artes & Espetáculos. Em maio de 1991 fui nomeado
diretor de redação.
Como nasceu a idéia de escrever "Notícias do Planalto" - e em que momento do trabalho o título do livro surgiu?
Comecei a pensar num livro sobre a imprensa e Collor por volta de 1994. Mas a idéia só amadureceu no final de 1997. O título só surgiu na última hora, quando a capa precisava ir para a gráfica. Aliás, a idéia do título não é minha. Ele surgiu numa conversa com meus editores, Luiz Schwarcz e Maria Emília Bender.
Em que altura do campeonato você começou realmente a escrever - durante a pesquisa ou depois dela? Como "nasceu" o comecinho do livro?
Comecei a escrever no
final de abril de 1999, depois de terminar a pesquisa e as entrevistas.
Enquanto escrevia, voltei a procurar alguns entrevistados para conferir
determinadas histórias, e senti necessidade de entrevistar
outras pessoas. O começo
do livro nasceu de uma necessidade cronológica: mostrar Collor tomando
posse no governo de Alagoas, em 1987, e sendo tema de reportagens da grande
imprensa.
Fez algum planejamento prévio para a estrutura narrativa - ou a coisa "foi saindo"?
Fiz um planejamento prévio minucioso e não me afastei dele. Mas escrevi mais do que pretendia. Queria fazer um livro de cerca de 500 páginas, e tive de chegar a 700 para poder narrar direito algumas histórias.
Quando tempo levou no trabalho de texto - e quais foram as suas preocupações básicas em relação ao estilo?
Escrevi de abril a novembro. A preocupação básica com o texto foi ser claro e objetivo, usando adjetivos com parcimônia.
Você esperava que o sucesso e a repercussão fossem tão grandes quanto têm sido?
Achava que haveria interesse num livro sobre o funcionamento da imprensa. A repercussão, no entanto, foi maior do que esperava.
Como avalia a cobertura
da mídia durante o primeiro mês do
lançamento?
Foi uma boa cobertura. No geral, o livro foi recebido com seriedade e respeito. Os colegas estão sem dúvida interessados em aprofundar a discussão sobre o nosso trabalho.
Como vê as críticas - em especial a reação da Gazeta Mercantil?
Encaro as críticas com naturalidade. Elas são importantes, já que não me considero dono da verdade. Fiquei chateado com a reação da Gazeta Mercantil, jornal cujos proprietários e profissionais não incriminei ou ataquei em "Notícias do Planalto".
Quantos exemplares o livro já vendeu até aqui? E quantas edições já tirou?
Foi feita uma primeira
edição de 40 mil exemplares, e duas reimpressões,
uma de 20 mil e outra de 15 mil livros. A Companhia das Letras ainda não
fez uma contabilidade, mas acredita que até o final do ano terão
sido vendidos mais
de 60 mil exemplares.
Quais são os seus próximos projetos profissionais? Algum novo livro em vista?
Quero voltar a uma redação, seja como diretor ou como repórter. Não estou pensando em fazer nenhum livro.
Quem "faz a cabeça" de Mario Sérgio Conti, no melhor sentido da expressão?
Pergunta difícil, na medida em que leio bastante e respeito muitos jornalistas, escritores e artistas. Para não cometer injustiças, prefiro não citar nenhum.