PROFISSÃO:REPÓRTER

 


Morte de fotógrafo é mistério

ANTÔNIO JOSÉ SOARES
 

Agência JB (21/11/98)

BELÉM - A Polícia Civil do Pará não tem pistas do homem que executou a tiros no dia 5 deste
mês o fotógrafo Miguel Pereira, morto enquanto procurava o endereço de um cliente no bairro
da Liberdade, em Marabá. O delegado Sandro Rivelino, encarregado do inquérito, trabalha
com três hipóteses: crime político, latrocínio ou crime passional.

No primeiro caso, Miguel teria sido assassinado porque foi o único fotógrafo a registrar o
massacre de 19 trabalhadores sem-terra, em Eldorado dos Carajás, pela Polícia Militar do Pará
no dia 17 de abril de 1996. Mas nada parece confirmar a tese. Miguel Pereira era o mais
conhecido fotógrafo de Marabá e jamais recebeu ameaças por causa das fotos dos sem-terra
assassinados. O delegado acha que as imagens da televisão foram mais fortes.

Na segunda hipótese, o crime seria latrocínio. Entretanto, o delegado constatou que nenhum
objeto ou dinheiro do fotógrafo desapareceu após sua morte, apesar de a mulher que estava
com ele, Aldenir Alves de Souza, ter afirmado à Polícia que o matador disse se tratar de um
assalto. No último caso, o delegado Rivelino pensa em crime passional. Ele acredita que
Miguel Pereira possa ter sido morto por algum amante ou pelo marido da mulher que o
acompanhava.


PROFISSÃO:REPÓRTER

E-MAIL