PROFISSÃO:REPÓRTER

BLABLABLA...



"Estabelecei a crítica, mas a crítica fecunda, e não a estéril, que nos aborrece e nos mata, que não reflete nem discute, que abate por capricho ou levanta por vaidade; estabelecei a crítica pensadora, sincera, perseverante, elevada, - será esse o meio de reerguer os ânimos, promover os estímulos, guiar os estreantes... condenai o ódio, a camaradem e a indiferença - essas três chagas da crítica de hoje"

(Machado de Assis, citado por Luiz Viana, em "A Vida de Machado de Assis)

"Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.
Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer."

Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948

"(...)Assim como os mineiros, os jornalistas também só são solidários no câncer, quando muito. (...)"

Benício Medeiros, "ampliando" a frase famosa do escritor mineiro. Em "Otto Lara Rezende" (Relume Dumará, 1998)

"O único erro humano que merece a pena de morte é a revisão"

Otto Lara Resende

"Escrevemos, escrevemos, escrevemos. Clamamos no deserto. O clube do poder tem as portas lacradas e calafetadas."

Otto Lara Resende

"Sou jornalista, especialista em idéias gerais. Sei algums minutos de muitos assuntos. E não sei nada."

Otto Lara Resende

"Texto de jornal é estação de trem depois que o trem passou. Deixou de ter interesse."

Otto Lara Resende

(As frases de Otto foram retiradas do livro de Benício Medeiros, acima citado)

"Ninguém jamais saberá o que A sangue frio tirou de mim. Arrancou-me tudo, até o tutano dos ossos. Quase me matou. E acho que de certa forma foi isso mesmo o que aconteceu. Simplesmente não posso esquecê-lo, principalmente os enforcamentos no final de tudo. Foi horrível!"

Truman Capote sobre "A sangue frio" no livro "Capote, uma biografia", de Gerald Clarke

 "Eu crio algo realmente inovador, e quem ganha os prêmios? Norman Mailer, que teve a coragem de me dizer que era burrice o que eu estava fazendo em A sangue frio; depois ele se senta e faz um plágio perfeito. Não existe plágio maior em todo o século XX. Ele usou tudo o que eu fiz, todo o trabalho que tive, a técnica experimental, e plagiou. Mas só uma coisa me magoa: nem o sr. Mailer nem tantos outros que me copiaram, como o sr. (Bob) Woodward e o sr. (Carl) Bernstein, nunca reconheceram que me devem alguma coisa, que fui eu quem inventou essa fórmula. Eles ganharam prêmios e eu não ganhei nada. E eu sei que merecia. A decisão de não me premiar foi totalmente injusta. Então, a essa altura posso dizer: Fodam-se todos vocês! Se não são capazes de saber o quanto uma coisa é unica, original e grandiosa, então vão se foder! Não ligo nem tenho mais nada a ver com vocês. Se não conseguem apreciar uma obra realmente extraordinária como A sangue frio nem reconhecer os cinco anos e meio que dediquei a ela, seu estilo e sua arte, vão se foder!"

Truman Capote, desabafando contra o Prêmio Pulitzer concedido a "Os Exércitos da noite", de Norman Mailer; em "Capote, uma biografia", de Gerald Clarke

 "Eu não gosto de intimidade com jornal e são poucos os jornalistas com quem mantenho amizade. Não gosto da idéia de estar conversando com uma pessoa, porque a tenho como uma amiga, e essa pessoa, por sua vez, estar interessada profissionalmente na conversa, tornando depois público o que era particular. Isso me inibe e faz deteriorar qualquer amizade. Há muitos jornalistas que sobrepõem a profissão à amizade. Já houve quem se utilizasse da minha amizade para obter informações usadas depois, indevidamente. Então você é obrigado a conversar com um pé atrás e isso não é conversa de amigos. Se um amigo que é jornalista está me entrevistando, eu me comporto como um artista falando para um órgão de imprensa. O jornalista, queira ou não, exerce um poder e eu não quero ser simpático a poderoso nenhum"

Chico Buarque de Holanda, em entrevista a Lena Frias, do Jornal do Brasil de 10/11/97

"Escrevi em jornais alternativos como O Pasquim, fui do conselho editorial do jornal Opinião e de outros que a censura perseguiu e esmagou. Por isso mesmo, não sou simpático a nenhuma medida restritiva à liberdade de imprensa e muito menos à idéia de uma lei que ameace economicamente a existência dos jornais. Por outro lado, acho que devia haver menos espírito de corpo por parte dos jornalistas. Não ação que estou movendo contra o jornal de Goiás (Diário da Manhã) eu acabo aparecendo como racista, já que os jornais dizem que eu estou processando porque alguém falou que meu neto é mulato. E não foi isso (o juiz Itaney Francisco Campos, de Goiânia, considerou justificada a ação, fixando uma indenização de 100 salários mínimos em favor do compositor). Eu também observo que, embora exponham sem cerimônia a vida das outras pessoas, os jornalistas permanecem, por sua vez, a salvo. Há alguns muito conhecidos, pois têm suas fotos estampadas nas colunas, dão entrevistas na televisão, lançam livros, o público poderia estar interessado na vida deles também. Mas um jornalista não toca na vida pessoal de outro jornalista"

Chico Buarque de Holanda, na mesma entrevista a Lena Frias, Jornal do Brasil

"Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma"

Tom Wolfe, jornalista e escritor

Jornalismo é uma questão de ênfase

Paulo Francis, no Estadão, 13/6/96

"O jornalista é um fofoqueiro profissional. Ganha (pouco) dinheiro para ouvir as coisas e contar pra todo mundo"

Ana Redig

 "(...)Jornalismo de investigação não é só aquele que precede a elaboração de reportagens de fôlego. Jornalismo é investigação sempre - quer ele resulte na renúncia de um presidente da República ou no fechamento de um buraco de rua que atrapalha o trânsito (...)"

Ricardo Noblat, no livro "Jornalismo é..." (Editora Xenon, coordenação de Nemércio Nogueira)

"Pode reescrever isso. Não me venha com literatice merdífera!!!

Cláudio Abramo, segundo a memória de Nemércio Nogueira no livro "Jornalismo é..."

 "A principal fonte de erro para o repórter político é a própria vaidade e seu maior instrumento de trabalho não é a caneta, o bloco de anotações nem o computador, mas o semancol, em doses que devem aumentar com o passar do tempo. Pois a sensação ilusória da proximidade com os poderosos dada ao repórter que segue seus passos é a pior conselheira que ele pode ter. O convívio é uma forma de cooptação mais terrível. A proximidade e a freqüência são poderosas armas a serviço da pura e simples adesão, às vezes piores do que a própria corrupção."

José Nêumane, no livro "Jornalismo é..."

"É inevitavelmente falso tudo aquilo que todo mundo aceita como indiscutivelmente verdadeiro"

H.L. Mencken

"O jornalismo é um inferno que, ao contrário do Inferno de Dante, não tem nem mesmo um Virgílio para guiar o neófito"

Balzac

 "Para a imprensa o agora é o ápice do tempo"

Jorge Luis Borges

 "Tudo o que faço é jornalismo e nada que não seja jornalismo sobreviverá"

Bernard Shaw

 "O jornalista é um inquilino que freqüenta um condomínio que não lhe pertence"

Theodor Adorno

 "The press is depress"

Hunter Thompson

 "Considero como uma das felicidades da minha vida não escrever nos jornais; isto prejudica a minha bolsa, mas faz bem à minha consciência"

Gustave Flaubert, escritor - 1821-1880

Desde que minha foto esteja na primeira página, não quero saber o que escreveram sobre mim na página 96.

Mick Jagger

 Não há perguntas embaraçosas - só respostas embaraçosas.

Carl Rowan

 Trabalho pelo olfato. Quando sinto algo fedendo, vou atrás.

Drew Pearson

 A única maneira de um repórter olhar para um político é de cima para baixo.

Frank Kent

 A imprensa não é o Quarto Poder. É o contrapoder.

Zuenir Ventura

 A discussão livre fará sempre sucumbir o erro.

Hipólito da Costa

Ninguém deve escrever como jornalista o que não possa dizer como cavalheiro.

Walter Williams

(...)A finalidade da imprensa na América tem sido botar remendos na máquina, ajustar, preparar a sede para novas válvulas e valores, lubrificar, desculpar, justificar, servir na conservação do Estabelecimento. Desde I. F. Stone, na esquerda, até a direita de Josep Alsop, indo quase tão longe quanto David Lawrence, o entendimento essencial dos meios de comunicação em massa é que a máquina da Nação é uma trapalhada infinitamente grata aos suprimentos do intelecto; faz-se, assim, um jogo em que o Estabelecimento perdoa sempre os meios de informações por seus excessos, e aqueles põem o seu sentido de civilização (ajustamento, psicanálise, responsabilidade e as mais temperadas praias do amor) a serviço do Estabelecimento da família. Virtualmente, tudo é perdoado de ambas as partes. Esquecem-se os comentários contraditórios dos políticos, as revisões e vaticínios mais burros dos sabichões são enterrados com piedade. (...). Não, a imprensa não seria censurada pelas limitações de sua técnica, porque metade de sua compreensão da Nação deriva, no fim das contas, do material fornecido pelos Estabelecimentos; a outra metade provém de conversações entre uns e outros. Com muita freqüência a imprensa vive na situação investigativa do amante que realiza o ato durante dois minutos por dia e fica falando a respeito disso durante vinte das vinte e quatro horas diárias (...)

Norman Mailer, em "Canibais e Cristãos".

"Desde 1860 que esta folha tem tido a vantagem de possuir entre os colaboradores dedicados o sr. Machado de Assis. Poeta inspirado e escritor de reconhecido talento, o nosso jovem colega tem sabido granjear a estima e a consideração geral. Para nós a perda de tão distinto colega é duplamente sensível. Lamentamos a ausência do amigo e a falta da inteligência aprimorada que em tantos e tão belos artigos honrou as páginas deste jornal".

(Quintino Bocaiúva, em 9 de abril de 1867, lamentando a saída de Machado do Diário do Rio, onde trabalhou por sete anos. Citado em "A vida de Machado de Assis", de Luiz Viana Fiho)

"Meu Quintino. Recebe apertado abraço pelas boas palavras que disseste hoje de mim. A mão que me fez entrar para essa casa há sete anos é a mesma que tão lealmente me dá o adeus da despedida. São cousas que não se esquecem. Crê na amizade do teu do coração. Machado de Assis"

(Resposta de Machado a Quintino; idem)


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