PROFISSÃO:REPÓRTER

e n t r e v i s t a

AMAURI RIBEIRO JR.
 

 Perguntas de Luiz Maklouf Carvalho,
José Roberto de Alencar, Altino Machado e Leão Serva



Luiz Maklouf Carvalho - Quando, porque e como você escolheu o jornalismo?

Amauri - Entrei na Faculdade de jornalismo por acaso. Havia passado em 1982 em três vestibulares: direito, comunicação social e administração. Escolhi o jornalismo porque eu gostei da Faculdade Cásper Líbero, já no vestibular. Lembro de uma cena em que a professora jogava as provas nos alunos.Achei muito divertido aquilo. Escolhi também o jornalismo porque eu achava que a faculdade tinha um ambiente ligado à musica, já que na época eu participava de vários festivais e pretendia ser músico. Hoje não me vejo em outra profissão que não seja o jornalismo.

Luiz Maklouf Carvalho - Qual é o caminho das pedras para ganhar tantos prêmios de jornalismo quanto você tem ganho ultimamente?

Amauri - Não tenho me preocupado muito com isso, já que existe uma pessoa no jornal, a Helena Celestino (diretora-executiva), encarregada de selecionar e inscrever as matérias do jornal que concorrem a prêmios. É preciso esclarecer que não faço reportagem pensando em prêmio. Se o resultado do trabalho é positivo, já fico muito satisfeito. Mas acredito que o caminho das pedras é fazer uma reportagem completa, impossível de ser desmentida, cercada por todos os lados. E isso envolve vários fatores. Hoje tenho o privilégio de poder pautar minhas matérias, viajar sem prazo para voltar e com recursos suficentes para elaborá-las.

Estou cada vez mais convencido de que isso é um privilégio.Fui eleito recentemente para o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, uma entidade que reúne 47 jornalistas de 40 países. Ao participar na semana passada do congresso da entidade, pude constatar que a choradeira era geral. E o pior é que os jornalistas que reclamavam de problemas como a falta de espaço, a censura, e da falta de tempo para elaborar uma reportagem, eram profissionais consagradíssimos, que trabalhavam na considerada imprensa mais livre do mundo.

Mas não basta somente tempo e liberdade na produção da reportagem para que o resultado seja positivo. Quando o jornal entende o espírito da reportagem, apostando nela até que o caso seja solucionado, o resultado é gratificante.No meu caso, nunca deu errado. Foi o que aconteceu com as três reportagens premiadas: O Araguaia, a Prostituição Infantil e o Baú do General Bandeira. Acredito que outras reportagens teriam o mesmo resultado se tivessem merecido um tratamento melhor. Essa série sobre o extermínio de criança - que está sendo publicada essa semana - é um exemplo disso. Foi o meu melhor trabalho de jornalismo investigativo da minha vida. Mas infelizmente o resultado não foi o esperado.

Luiz Maklouf Carvalho - A meu ver, a série da reportagens sobre prostituição infantil se diferenciou de outras sobre o mesmo tema pelo método de trabalho que você usou - a boa e velha técnica de estar lá, ao vivo e a cores, "vivendo" a situação. Gostaria que contasse como foi feita a matéria - da pauta ao resultado final.

Amauri - Eu estava acompanhando o trabalho da Funai, de contato com os índios Korubus na Amazônia, quando ouvi os primeiros relatos sobre a prostituição infantil. Eram os próprios funcionários a serviço da Funai que retratavam o mundo cruel das chamadas "Disnelândia do Sexo". O que mais me chocava era a crueldade com que os fatos eram ralatados.

"- Elas não têm nem pelinho. Se vende por R$ 10,00, um sanduíche" - contavam os funcionários da Funai que as freqüentavam.

Desde o início me passou a idéia que era preciso passar para o leitor toda minha indignação. E hoje eu tenho certeza que não consegueria atingir esse objetivo se eu usasse o padrão de texto tipo USA Today e Folha. Então achei que o caminho seria mostar o mundo dos dois personagens: o da menina e de seu explorador.

As chamadas "Disnelândia do Sexo" eram freqüentadas por todo o tipo de bandido. O que a gente não podia imaginar era que funcionavam lá verdadeiros cassinos, comandados pela polícia.A gente entrava lá disfarçado de turista, procurando ganhar a confiança dos proprietários e dos freqüentadores. Uma semana depois, já tínhamos a confiança de todos. Então foi fácil para o Luís Carlos fazer aquela foto histórica, que deu sustentação à reportagem. Acho também que fui muito feliz no texto. O chefe de redação na época, o Arnaldo, e atual, o Joel, me disseram que aquele seria o texto da minha vida. Acho que eles estavam certos: o texto e as fotos fizeram a diferença.

É preciso esclarecer também que desde o início eu estabeleci um códico de ética com o fotógrafo. As meninas saberiam que a gente era repórter. Disse também que não admitiria qualquer tipo de montagem de foto. Saberia que a polícia iria tentar desmoralizar a reportagem em seguida.A reportagem - seguindo a minha linha de trabalho - teria que ser inquestionável

Luiz Maklouf Carvalho - Igualmente brilhante foi a série sobre a guerrilha do Araguaia - um trabalho de equipe, coisa cada vez mais rara na imprensa. Como é que a coisa funcionou entre todos vocês. E como anda o livro que estão escrevendo a respeito?

Amauri - Foi uma tremenda coincidência. Eu havia sugerido ao jornal viajar para o Araguaia a fim procurar as ossadas, quando apareceram aquelas fotos no Rio. Na verdade, eu havia começado o trabalho lá no Oiapoque, logo após eu entrar no GLOBO, em 96. Tinha informações de que havia um cemitério de presos políticos- lá na base militar de Clevelândia do Norte, na divisa com a Guiana-, que teriam lutado no Araguaia. Após duas semanas de investigação, descobri que o cemitério era de presos políticos das décadas de 20,30,40,50 e não de guerrilheiros do Araguaia. Mas lá no Oiapoque tive a sorte de conhecer soldados que combateram no Araguaia, que me deram as primeiras pistas. De posse dos primeiros vestígios, eu comecei um trabalho prévio, que consistia em analisar o trabalho de todas as pessoas que haviam estado lá à procura de ossadas.A primeira excursão de familares no Araguaia foi comandada pelo advogado Paulo Fontelles, assassinado por jagunços. Desde o início, eu sabia que a principal dificuldade seria quebrar o medo dos moradores da região, imposto pelos militares. Então, eu e fotógrafo montamos uma estratégia e um discurso a fim de quebrar o medo dos moradores. A gente se vestia de bermuda e chinelos, jogava bola com os moradores e elaboramos um discurso para convencer os moradores que o país havia mudado, tanto era que o governo estava pagando pensão aos familiares de presos políticos. Fizemos também um trabalho social de localizar familiares de presos políticos que não constavam da lista oficial do governo

Quanto ao trabalho de equipe, foi inesquecível. Hoje sou amigo de todos os repórteres que trabalharam na reportagem. Era uma grande movimentação. Houve um dia em que estava fechando meu material no Rio, enquanto a Consuelo estava em São Paulo. Cada um torcia pelo sucesso do outro. Quando encontraram a primeira ossada no Araguaia, foi uma verdadeira festa lá redação do Rio. Também discutíamos tudo. Acompanhei a edição lá no Rio, quando houve uma votação entre a gente, que resultou no adiamento da matéria por causa do Massacre de Eldorado de Carajás, que ofuscaria a reportagem.

A reportagem sobre Araguaia foi inesquecível. O livro também está indo bem. Estamos à espera de documentos sobre a terceira campanha da Guerrilha para finalizá-lo. Teremos novidades.

Luiz Maklouf Carvalho - A série com o general Antônio Bandeira foi outro furo sensacional. Qual é a história da reportagem?

Amauri - Estava um dia lendo o caderno Mais!, da Folha de S. Paulo, quando li uma entrevista do general Bandeira sobre o Caetano. Levei um grande susto, porque achava que o general Bandeira estava morto. Liguei imediatamente para filha do general, a advogada Marcia Bandeira, com quem mantive por dois meses um diálogo sincero que todo repórter deve manter com sua fonte. A princípio, pensava em publicar a reportagem em off. Mas o editor-chefe, o Ali Kamel, defendeu que seria fantástico se a gente pudese contar a história do baú. Voltei a falar com a Márcia da maneira mais honesta possível. Disse que ela sofreria uma grande pressão após a publicação da reportagem e que ela sofreria o assédio da imprensa, o que acabou realmnente acontecenedo. A Márcia apareceu na entrega do prêmio Wladimir Herzog, sendo saudada e anunciada pelos organizadores do prêmio.

Luiz Maklouf Carvalho - Em uma das últimas revistas da Polícia Federal li, pasmo, um artigo que o considera o jornalista "inimigo número 1" da instituição. Como vê esse tipo de ameaça - e a que a atribui?

Amauri - Uma grande besteira. Deve ter sido escrito pelos envolvidos na corrupção, já que os policiais honestos são os primeiros a me passarem documentos denunciando os seus maus companheiros. Me orgulho de não fazer reportagem confiando em dados da polícia e desses policiais corruptos me terem como inimigo.

Luiz Maklouf Carvalho - Quais são os maiores problemas que um repórter enfrenta hoje dentro da redação?

Amauri - - É você conseguir publicar a matéria do jeito que você quer. Estive recentemente num congresso internacional dos jornalistas investigativos, em Boston, e a choradeira era geral, o que me leva a concluir que esse problema é mundial.

Luiz Maklouf Carvalho - Quais são os seus critérios profissionais para o uso do "off the record" na reportagem?

Amauri - Só uso nas últimas das hipóteses, quando confio demasiadamente na fonte. Procuro sugar no máximo o entrevistado à procura de contradições.

Luiz Maklouf Carvalho - A crítica da mídia tupiniquim (especialmente o Observatorio da Imprensa) tem defendido que repórteres devem se identificar sempre. Fico imaginando o que seria de sua reportagem sobre a prostituição infantil se você tivesse chegado naquelas boates e dito algo como "olhaí, rapaziada, eu sou do Globo e tô querendo ver como é que rola esse lance das meninas de menor". De todo modo pergunto: repórteres devem sempre se identificar? Quais são os seus critérios éticos em relação a essa questão?

Amauri - Cada caso deve ser analisado separadamente.Desde que os critérios éticos sejam respeitados( a exemplo de Manaus, quando as meninas foram avisadas da reportagem), acho totalmente legal o repórter se infiltrar entre "bandidos" para denunciá-los. Ainda mais no caso de Manaus, em que os bandidos são a própria polícia. Esse tipo de jornalismo é feito em toda a parte do mundo.

Luiz Maklouf Carvalho - Além das reportagens já citadas até aqui, quais são as outras que você destacaria - e por que?

Amauri - A) "Os dois Brasis da Educação". Mostrou os dois lados da moeda da Educação no Brasil, mostrando que o problema ocorre devido à falta de vontade política

B) O extermínio de Crianças. Foi um trabalho minucioso. Foram mais de 200 entrevistas, além de pesquisa minuciosa nos Imls e outros arquivos.

Luiz Maklouf Carvalho - O que é que repórteres nunca devem fazer?

Resposta - Ser mau caráter com os amigos, mentir para as fontes, aceitar propina, ser promíscuo com as fontes e tentar não fazer aquilo em que não se acredita.

Luiz Maklouf Carvalho - O que vai mal com a mídia brasileira de forma geral? E o que vai bem?

Amauri - Mal: Essa simpatia e apoio demasiados com o presidente Fernando Henrique Cardoso e falta de grandes reportagens.A grande maioria das matérias é feita na correria.

Bem: A luta de alguns jornalistas para resgatar a reportagem e a ética na imprensa brasileira.

Luiz Maklouf Carvalho - Como vê o tratamento da mídia ao governo Fernando Henrique Cardoso?

Amauri - É vergonhoso.Fiquei muito feliz ao constatar no Congresso de Boston que os jornalistas estrangeiros - que já leram os seus livros - o consideram atualmente um verdadeiro picareta.

Luiz Maklouf Carvalho - Até que ponto a leitura foi importante na sua formação de jornalista? O que você lê e o que recomenda para quem está entrando no ramo?

Amauri - O jornalista tem que ser acima de tudo sensível às causas humanas e a literatura ajuda desenvolver essa sensibilidade. Por outro lado, acho que o texto literário está também cada vez mais próximo do texto jornalístico. Na minha adolescência, li todos os existencialistas(Sartre, Camus) e os clássicos russos(Dostoiewski) e brasileiros(Guimarães Rosa)

Atualmente, sou muito influenciado pelo constista paranaense Dalton Trevisan. Acredito mesmo que os contos dele são pequenas reportagens reais. A estrura da reportagem sobre a Disnelândia do Sexo tem forte influência dele.Gosto também muito de poesia e do contista J. Veiga. Acho que o Velho e o Mar, de Hemingway, é uma leitura indispensável para jovens jornalistas. Mas cada um deve ler aquilo que mais venha lhe despertar a sensibilidade.

Altino Machado - Você já trabalhou na Folha de S. Paulo. Gostaria de saber: algum ruído neste veículo impediu que as suas reportagens tivessem visibilidade suficiente para a conquista de prêmios?

Amauri - Acho que existem dois fatores a serem analisados. O primeiro era o fato que eu ficava isolado em Belo Horizonte, o que me impedia de fazer grandes reportagens A coordenação da Agência Folha, que sempre teve a fama de não ter muita força no jornal, não permitia que eu fizesse grandes reportagens. Eu era deslocado apenas para o Estados para cobrir o dia-dia de grandes casos como o Collorgate.Hoje há um princípio no GLOBO, que o diretor de redação, Merval Pereira, costuma frisar, que ajuda muito: não existe território no GLOBO. Quem descobre a pauta pode se deslocar para onde quiser a fim de pô-la em prática.

O outro fator é que eu também amadureci muito. O trabalho que eu faço no GLOBO é bem mais sólido, bem mais maduro do que eu fazia na Folha. Em geral, acho que não deve se culpar a Folha - que foi importante na minha formação - por isso.

Altino Machado - Como tem sido para você lidar com editores inexperientes?

Amauri - Isso é um drama que existe aqui e em qualquer parte do mundo.

Altino Machado - É uma tendência as empresas contratarem para suas editorias jornalistas que às vezes nunca viajaram pelo país ou sequer escreveram reportagens? Como é para alguém do reportariado lidar com outro que saiu direto da faculdade para assumir uma editoria?

Amauri - Esse é um grande problema que existe mesmo, porque Faculdade não ensina jornalismo para ninguém. Às vezes é difícil descutir o assunto com pessoas que não conhecessem o Brasil. Mas, de modo geral, no GLOBO tenho lidado com bons editores. E o pessoal do aquário, o Merval, o Ali e etc, são pessoas sensíveis, que tem apoiado muito o meu trabalho, o que vem facilitando a minha vida.O chefe da susrcusal, o Joel, já foi repórter luta muito

Leão Serva - Você "inventou Minas" para a Folha de S. Paulo. Em certo momento descobria tudo sobre mineiros no Exterior. Veio para São Paulo, foi para O Globo e estourou. Qual foi o "turning point" da sua vida?

Amauri - Leão, voçê tocou ponto certo da questão. Quando saí da Folha, estava desiludido com a profissão. Não sentia mais prazer em ser repórter, porque essa coisa de cobrir aquelas matérias do dia a dia, depois de um tempo, torna uma coisa muita chata. Aquele negócio de cobrir a vida dos estrangeiros no exterior foi uma escola de jornalismo, uma maneira de conseguir espaço trabalhando numa susrcusal que não tinha e continua não tendo a mínima importância por jornal. Foi uma fase de aprendizado.Mas hoje eu pergunto: que importância tinham aquelas reportagens? Acho, que a exemplo da maioria das notícias publicadas na imprensa, nenhuma.

Então, após a sair da Folha, fui atacar de produtor musical. Idealizei um projeto que chamava "Antropofagia 3", que reunia os melhores músicos do país. Dividia a produção com o William Magalhães (leia-se Gilberto Gil, Marina e tantos outros) e com o Fernando Fidal (guitarrista da Fernanda Abreu) e com o Ricardo Fíuza( velho amigo lá de Minas que toca também com Fernanda Abreu).A hsitória desse disco é digna de um livro, até hoje é cantada a gargalhadas nos meios musicais. É me divirto muito com essas história até hoje. Eu era o letrista do grupo. Fiz nove das 1o músicas em parceria com William, o Chico Amaral e principalmente com o Fiúza. Houve muita briga do pessoal com o cantor "Bauxita" e o disco acabou não saindo. Foi assim que eu voltei para o jornalismo a convite do Dario Palhares e do Ramiro, que cheviavam a surcusal do GLOBO em São Paulo. Foi a partir daí que veio a guinada. Pensei: já que eu tenho que voltar, que seja pra valer. Muito totalmente o modo de trabalho. Sinto que estou cada vez mais exigente comigo mesmo. Repito: o trabalho que eu faço no GLOBO é muito diferente do que eu fazia na Folha.

Leão Serva - É verdade que você tem discos gravados? Qual é a sua história com a música?

Amauri - Eu tenho um disco gravado e cheguei fazer uns shows em várias capitais brasileiras acompanhado de vários músicos, entre eles o Chico Amaral (letrista e saxofonista do Skank) e do Lisuel Costa (ex-língua de Trapo), que está regravando uma música de minha autoria. Fiz várias parceria com músicos mineiros, mas atulamente ando meio parado devido à falta de tempo. O Chico Amaral - que gosta muita da minhas letras- vive falando que eu não deveria para nunca. No início do ano que vem estarei produzindo um novo disco de uma banda pop lá de Minas.

José Roberto Alencar - É frustrante fazer uma brilhante série sobre prostituição infantil sabendo que a polícia vai prender um ou outro tarado, entregar ao juizado ou devolver à família uma ou outra menina, enquanto o governo continua produzindo um monte de crianças para a prostituição, com suas políticas desempregadoras e concentradoras de renda?

Amauri - É. E mais frustrante que isso é perceber que a situação está cada vez pior devido à miséria do país e que governadores como o Amazonino Mendes, que tem um secretário de segurança acusado de ser torturador, é reeleito para o governo com o apoio desse presidente que imprensa tanta eudeusa.

José Roberto Alencar - O Globo anda cada vez mais sem-vergonha nos títulos e na edição (p.ex.: diz que "Brizola e Lula atrapalham o país" e, lendo a matéria, se descobre que Maluf e Quércia atrapalham muito mais). Você pajeia a edição para evitar a editorialização de suas matérias?

Amauri - Só quando estou no Rio, eu tento dar uma sugestão. Mas no geral os títulos das minhas reportagens não são ruins. Por exemplo, "A zona Franca da Prostituição Infantil", é um título excelente.No mais, eu raramente faço matéria desse blá-blá de política, que eu acho um saco.


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